ORIGINAL BOMBER CREW | VAPOR

ORIGINAL BOMBER CREW (PI)

VAPOR

VAPOR é uma série de ações performativas a acontecerem a partir de lugares de fricção sobre moradia: a ocupação de terras Vila da Esperança, que fica no bairro Pedro Balzi, zona rural do grande Dirceu-Teresina-Piauí, a qual conta atualmente com seis mil famílias; um prédio abandonado junto ao “mercado do peixe”; o conjunto habitacional Jacinta Andrade-a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Brasil. Da vivência neles, migramos para o Campo arte contemporânea e seus espaços de extensão, enquanto residências e cruzamentos com outros artistas, de maturação, criação e gira pro mundo.

VAPOR é o 3º ato de uma trilogia da Original Bomber Crew que começou com a Invasão Performática TRETA (2018), continuou com a Obra Monitorada SUSPEIT• (2020) e agora se dissipa com VAPOR: uma ação infiltrável em contextos tanto online quanto de corpo-a-corpo protocolado. Escapa numa série de vídeos, e presencialmente numa performance que deixa uma instalação como mancha no espaço.

Nos becos das periferias de Teresina ou outras urbanidades, “vapor” é uma gíria que significa sumir. Se refere àquele morador da quebrada que morre, evapora sem que a sociedade se importe com a falta dele. É também o responsável pela venda ilícita aos consumidores. É olheiro que vigia as entradas principais da favela e avisa toda a rede, por meio de fogos de artifício ou rádio comunicador. São os mais vulneráveis pela ação policial, executados na juventude, tornando-se pelo desgoverno meramente um número das estatísticas. Foi em busca de “vapores” que aconteceu uma das maiores chacinas da história do Brasil na atualidade, na Favela do Jacarezinho/RJ, em maio deste ano. Vapor fala de um forçado e contínuo estado de fuga, de refúgio, de necessidade de abrigo. Fala do direito universal à moradia, dos conflitos que passam pelo pertencimento e pela propriedade. Fala de quem migra, invade e/ou ocupa, em constante movimento como tática de sobrevida e de elaboração de sua existência.

Nesse momento de necropolítica oficializada no Brasil, tornou-se mais importante do que nunca atentar pro que acontece artisticamente nas periferias, suas dificuldades, suas tecnologias, seus costumes e seu novo normal. A seleção deste projeto no Panorama RAFT alimenta de condições o grupo Original Bomber Crew, que há 16 anos pesquisa modos de dançar periféricos.

“Nossa vulnerabilidade foi esgarçada pelo medo generalizado, pela omissão e sabotagem do poder público. É uma emergência atualizar e aprofundar esses assuntos que intervimos artisticamente desde o início do Bomber. Queremos evaporar pra mudar de uma forma para outra, como dança que se modifica, se reinventa e se lança, como um rio que segue apesar de tudo, que não cessa. A dança é nosso campo de questionamento e de valorização do próprio lugar–um lugar onde não é comum ver arte nem viver de arte, mas foi através dele que descobrimos que é possível dançar e se relacionar de outras maneiras”– conta Allexandre, diretor do Bomber Crew e responsável pela concepção da trilogia.

 

25 set| 19h
Assista aqui | Watch here (em breve | soon)

 

FICHA TÉCNICA

Concepção e direção Allexandre Bomber
Fotografia, direção e criação em vídeo Maurício Pokémon
Criação e performance Allexandre Bomber, César Costa, Javé Montuchô, Malcom Jefferson, Maurício Pokémon e Phillip Marinho
Colaboração artística Cleyde Silva
Pesquisa sonora Cesar Costa e Javé Montuchô
Trilha, edição e coordenação técnica Javé Montuchô
Direção de produção Regina Veloso
Assistência administrativa Humilde Alves
Realização Original Bomber Crew e Casa de Produção|CAMPO arte contemporânea

Agradecimentos Adenilson Santana/Rato, Bruno Moreno, David Allan, Davi Silva, Gui de Areia, Kasa, Raimunda Gomes da Silva e Vine Silva.